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quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

A Segunda Edição do Estação Icaivera!

A segunda edição do “Estação Icaivera” nos trouxe muitas alegrias, não pelo seu produto final e palpável, o jornal. Muito mais que isso, ficou evidenciado o processo, sim, o processo que muito tem sido desconsiderado pelas “políticas” públicas educacionais e que, à maneira do Mercado, têm se perguntado muito mais pelos resultados, do que pelo caminho percorrido! Nesse sentido, é que confesso publicamente a alegria de ter podido (com)viver com cada um desses alunos da turma 803 por dois adoráveis anos e tê-los visto crescer como seres humanos e estudantes. Talvez a palavra não seja capaz mesmo de “dar conta” da expressão, de dizer do orgulho que tenho de todos vocês e do trabalho que fizeram ao longo desse tempo.

É verdade que nos separaremos daqui a pouco, afinal, é hora de alçarem voos mais altos, é hora do ensino médio e daqui a pouco a universidade! Mas educamos também para isso: para a liberdade! Desejo que saibam fazer dessa liberdade que terão nos próximos anos, algo construtivo, que os faça se sentirem melhor e que ajudem a melhorar, de alguma forma, o mundo em que vivemos!

Por fim, plagio o poeta e um pouco também vocês, alunos da 803, para dizer das saudades que sentiremos: “As coisas tangíveis tornam-se insensíveis à palma da mão/Mas as coisas findas/ muito mais que lindas, essas ficarão.”

E digo eu: Sim, elas, as coisas lindas, ficarão!

O Direito à Educação de qualidade e suas implicações

A partir da Constituição Federal de 1988, alterada pela Emenda Constitucional n. 14, de 1996, o ensino fundamental de oito anos , obrigatório dos 07 aos 14, e gratuito para todos, passou a ser considerado direito público e subjetivo. Certamente, esse foi um grande avanço para a educação relativamente às Constituições anteriores. A carta de 1988, assim como sua alteração pela emenda, deixa claro que sendo o ensino público e subjetivo, os governantes podem ser responsabilizados juridicamente caso não o ofe-reçam ou, ainda, o façam de maneira irregular. A nova redação determina, assim, que o direito à educação garanta não só o acesso e a permanência do indivíduo no ensino fundamental, mas, abranja, também, a garantia de um padrão de qualidade, sob o qual deverá se estruturar o ensino.
Contudo, temos, ao longo do tempo, nos deparado com um problema que não pode ser considerado uma questão menor, qual seja, a dificuldade em mensurar “qualidade” de ensino. De início, temos que consi-derar que o termo “qualidade”, em si, já é bastante complexo, devido a sua polissemia, ou seja, a sua capacidade de abrigar vários significados. Dito de outra forma, como medir a qualidade quando se está falando de Educação? Que mecanismos utilizar? Melhorar a qualidade, em educação, significaria investir em pessoal para tornar o mercado brasileiro mais atrativo para o investidor? Ou seria mesmo o desenvolvimento pleno do sujeito, em seus aspectos cognitivos, sociais, psicológicos, enfim, humanos?
Um dos primeiros aspectos tratados pelas políticas públicas de educação, no que diz respeito à qualidade, foi aquela que buscava a democratização do acesso e expansão da escola básica para um número cada vez maior da população. Não podemos nos esquecer que, segundo dados oficiais, em 1920, mais de 60% da população brasileira era de analfabetos. Assim sendo, o primeiro sentido de qualidade estava ligado, intimamente, a uma escola para todos. Por isso mesmo, soam-nos, bastante suspeitos, certos saudosismos que afirmam ser boa a escola de “antigamente”. Intuo que escola boa não é aquela aberta a meia dúzia de alunos selecionados, mas sim, a que tem suas portas abertas a todos; que não discrimina, não exclui e, principalmente, aceita as diferenças!
Já em momento posterior, uma vez já tendo assegurada a presença maciça da população na escola, a qualidade na educação se vinculava à questão do fluxo escolar e sua posterior correção. Nos anos de 95/96, por exemplo, o Brasil apresentava a escandalosa taxa de reprovação de 30,2%.
Minas Gerais, por sua vez, no mesmo período, se sobressaía, liderando, infelizmente, a região sudeste com um percentual de reprovação de 26,0%, contra 25,9; 20,3% e 18,8% do Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo, respectivamente. Pelas “estradas de Minas” a taxa de DIS (Distorção Idade-Série) alcançava, no ano de 1996, 37,4%.
Tudo indica que foi nesse sentido, de tensionar o problema da evasão, repetência e distorção idade-série que a adoção dos ciclos, da promoção automática, de programas de aceleração da aprendizagem e de correção do fluxo se instituíram no cenário educacional brasileiro. Embora sejam políticas que contem com a reprovação de boa parte dos educadores, parece-me que a dificuldade na efetivação, de fato, dos ciclos, por exemplo, advém, primeiro, da falta de discussão com as famílias, esclarecendo-as da metodologia, pressupostos e diretrizes que o norteiam. E segundo, intuo que a não aceitação por nós, professores, vem mesmo de um ideário neoliberal que naturaliza as práticas odiosas de avaliar, julgar e, em seguida, subjugar o outro.
Por fim, nos dias de hoje o debate acerca da qualidade da educação se dá a partir da instituição de testes pa-dronizados, conhecidos como PROVA BRASIL, SIMAVE e que, no caso da primeira, junto à taxa de promoções forma-se o IDEB – Índice de Desenvolvimento da Educação Básica. Não há dúvida que os descritores da Prova Brasil apresentam qualidade na formulação e que, certamente, há que se assegurar um mínimo comum indispensável no currículo dos alunos para, daí, discutirmos a qualidade de educação. Não faz nenhum sentido, de fato, um professor de língua portuguesa organizar quase todo o currículo do ensino fundamental com ensino de fórmulas estereis e análise sintática, por exemplo. Isso deverá ser estudado, sim, caso algum desses alunos se tornem estudante de letras, mas, enquanto ensino fundamental, essa não me parece ser uma prática pedagógica pautada na linguagem enquanto interação humana.
Por outro lado, não se deve fechar os olhos para os riscos dessas avaliações em larga escala, uma vez que testes não dão conta de mensurar todos os aspectos que envolvem o processo de aprendizagem, como, por exemplo, o impacto que as condições sócioeconômicas e a falta de lazer causam na aquisção dos processos de leitura-escrita. Isso sem falar na desconsideração das múltiplas inteligências que sempre discutimos. Afinal, se o teste é padronizado, não se pode falar em multiplicidade. O “Maria Elena”, nos anos finais, vem cumprindo todas as metas propostas pelo Governo Federal e o seu IDEB, medido em 2009, alcançou 4.2, numa escala de 6.0 a ser atingida até o ano 2.021. Mas, certamente, o que põe a escola nessa situação privilegiada, não são esses testes, mas sim, o compromisso de um corpo docente e administrativo que têm claro o conceito de educação com o qual lidam e no qual não estão incluídas a competição e a comparação. Questões essas que podem ser consideradas riscos em potencial dessas avaliações em larga escala e com os quais se deve estar atento. Na Escola Municipal “Maria Elena da Cunha Braz” parte-se do pressuposto de que talvez a “competição melhore as mercadorias, mas, certamente, piora os homens”!

i Ver, a esse, respeito, a redação dada pela Emenda Constitucional nº 59, de 2009.

Por Maria do Rosário Figueiredo Tripodi
Professora de língua portuguesa da E. M. Maria Elena, doutoranda em Educação pela USP

EXPEDIENTE - ESTAÇÃO ICAIVERA - EDIÇÃO 02

DIREÇÃO E VICE-DIREÇÃO: Cícera Oliveira, Carla Matoso, Nícia Pereira

COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA: Maria das Graças Soares, Elizabeth Fulgêncio

COORDENAÇÃO DO PROJETO: Maria do Rosário Figueiredo Tripodi

JORNALISTAS: Alexsander Gomes, Andréia Ferreira, Andreza, Chrystopher Marinho, Dara Pires, Débora Ribeiro, Dyego Lima, Filipe Leocádio, Francyelle Martins, Gilmere Damasio, Hyago Silva, Ianca Nolasco, Ingrid Fraga, Jéssica Paula, Kamila Viana, Luana Pêgo, Lucas Fernandes, Ludmila Passos, Marcos Paulo Diniz, Mariana Bramussi, Mariana Santiago, Stéfani Fernandes, Stéfany Cordeiro, Thais Silva, Wanderson Silva, Warley Oliveira, Wellington Furtado, Willian Dias

CONTATOS: (31) 3596-4608 / (31) 9621-0909

DIAGRAMAÇÃO E PUBLICAÇÃO NO BLOG: Telma Maciel / (31) 9924-9670

Com a palavra, os Pais!

“Graças a Deus meu neto tem desenvolvido muito na Escola Maria Elena.
Estou muito satisfeita!”
D. Célia Mª de Oliveira e seu neto Maquisthon, aluno da E.M.Maria Elena


“Hoje, o Carlinhos lê um livro atrás do outro! Nos últimos meses, ele leu três livros. E agora, sou eu que quero a ler; de tanto ver meu filho lendo, agora também vou começar a ler.”
Denise Elizabeth, mãe de Carlos, aluno da E.M. Maria Elena da Cunha Braz.
Na foto com Carlos, a irmã Marcela e o pai Valdir


“A Escola Maria Elena me ajuda a ensinar meu filho que o que estamos fazendo por ele hoje vai ser pra sempre dele, ninguém vai tirar. A Cícera sempre ajudou a olhar os meus filhos! Eu tô muito satisfeito com a escola!”
Sr. José Santana com o neto e o filho Gabriel Santana, aluno do Maria Elena


“Eu sinto a Escola Maria Elena como uma parceira na educação do meu filho Samuel e daqui a pouco com o Lucas, meu outro filho. O comprometimento, preocupação e seriedade dos profissionais dão tranquilidade a nós, pais.”
Osânia, com Lucas e Samuel, aluno da Escola Maria Elena


“Essa escola é muito boa! Meu filho vai pro reforço toda semana às 06 horas da manhã e hoje ele está lendo e escrevendo muito melhor! Graças ao reforço e o esforço do povo da escola.”
D. Maria Antônia, Seu Francisco e o filho Christian

CHARGE

Por Hyago, Marcos, Warley, Chrystopher, Filipe

Ensino religioso na escola: limites e possibilidades

O Ensino Religioso na escola pública, obrigatório conforme a Lei de Diretrizes e Bases da Educação, sempre foi assunto de debate. As discussões se dão em torno da renovação do conceito de Ensino Religioso, da sua prática pedagógica, da definição de seus conteúdos e metodologia adequada ao universo escolar que hoje é bastante diversificado. Como trabalhar um conteúdo de cunho religioso de maneira laica?
A disciplina traz uma proposta educacional cujo objeto de estudo são as manifestações do fenômeno religioso e, por isso mesmo, voltada a educar para o respeito às diferenças. O respeito, por excelência, às diferenças religiosas. Deve estimular ao aluno a fazer uma interpretação dos acontecimentos e a recolher o significado da vida sob a perspectiva do mistério divino que a envolve.
O Ensino Religioso, na atualidade da educação brasileira, manifesta-se como um dos lugares e espaços em que se destacam e discutem posições sobre o sentido da vida, do ser humano, na perspectiva da liberdade do ensino, como forma de construção da liberdade humana. Contrapondo-se a isso, identificam-se inúmeras atitudes humanas no cotidiano, veiculadas pela mídia e, consequentemente, invejadas pela grande massa expectadora. Tais atitudes são, na verdade, apenas a representação de que para tudo serve, menos para ser apresentado como referencial de caráter, de beleza, de dignidade, de cidadania ou de vivência dos princípios religiosos. Enquanto a mídia aposta no aumento do Ibope a qualquer custo, o Ensino Religioso aposta numa proposta pedagógica voltada à redescoberta da sacralidade da vida, enunciada pelas diversas tradições religiosas.
Assim o Ensino Religioso contribui para vida coletiva mostrando aos jovens independente da crença religiosa ou da ausência dela, o respeito ao diferente e as diferenças. Da a oportunidade de sistematizar o conhecimento, permitindo que ele pense de maneira mais critica cada fazer do ser humano e sua existência.

Por Zulma Leal
Pedagoga e Professora de Ensino Religioso da E.M. Maria Elena da Cunha Braz

Um ano de “Escola da Gente”: pais, escola, gestores e estagiários comemoram!!!

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Sob a regência da Professora Thamires, alunos do “Escola da Gente” tocam e encantam auditório lotado do Maria Elena.

Há, aproximadamente, 01 ano, começou a ser implantado, em Betim, o projeto “Escola da Gente”, que tinha por objetivo melhorar e integralizar a educação no município. Um ano se passou e, como era de se esperar, em um projeto de grande alcance, aparecerem alguns obstáculos. Contudo, a avaliação feita pelo Gestor do Programa, no bairro Icaivera, Antônio Thomáz, é que o Programa tem, cada dia mais, assumido a configuração que se esperava desde o início, que era, justamente, oferecer atividades lúdico-pedagógicas aos alunos, de maneira que essas atividades pudessem repercutir na formação e no processo de aprendizagem dos participantes.
E não é só o coordenador que faz uma boa avaliação do Programa; também a Direção, professores e, principalmente, os pais acreditam que as atividades oferecidas têm contribuído para o crescimento das crianças e adolescentes.
Atualmente, são oferecidas oficinas de taekwondo, natação, futsal, jornal, rádio, acompanhamento pedagógico, pintura e música.
Segundo o gestor, no que diz respeito à oficina de música, o desejo da escola é formar uma futura orquestra com o apoio da FUNARTE que já entregou à Escola alguns dos instrumentos como flautas, violinos e teclado.
A Escola ainda estuda a possibilidade de oferecer aos alunos uma oficina de filmagem e produção de vídeos, um cineclube estudantil.
Atualmente, o “Escola da Gente”, que utiliza o sítio do CRESCER, mas tem em mente a abertura de mais um espaço no próximo ano, atende aproximadamente 300 inscritos e que esse número, de acordo com Antônio Thomáz, poderá sofrer uma queda para que se possa qualificar, ainda mais, o atendimento dado aos alunos.

Por Gilmere Damásio e Mariane Santiago